quinta-feira, 21 de maio de 2009

What's inside - 01

Let the blog... BEGIN!



Em um mês, faço 30 anos. Calma, juro que vou tentar fugir do clichê de falar sobre a angústia de ser uma mulher de 30 hoje. Sobre as pressões do mundo para que você dê conta de uma carreira de sucesso, tenha uma família, seja uma mulher independente, não precise de ninguém, não faça o parceiro se sentir desnecessário, tenha um filho, não deixe o filho sem atenção, não mencione filho ao possível empregador. Não tenha filho antes de firmar carreira. Não tenha filho depois dos 35. Solteira aos 34? Corra. Unhas impecáveis, roupas bem esfregadas, muita disposição de noite na cama. 

Tarde demais para fugir do clichê...

Mas como eu estava dizendo, vou fazer 30... E, tirando as angústias típicas e já mencionadas, estou feliz! Acho que é uma boa hora pra começar um blog, justamente porque o que me deixa feliz  é chegar aos 30 com a sensação de estar no auge e progredindo, e fiel à minha identidade, à mulher que eu quero ser. E eu quero que o blog seja uma celebração da minha identidade. Ontem olhei fotos minhas aos 17 anos me acho mil vezes melhor hoje, tanto na beleza quanto na atitude, na minha postura diante do mundo. 
 
Na época em que essas fotos foram tiradas, saí da casa dos pais. Morei, até pouco tempo atrás, no sul do Brasil. Vivia numa cidade completamente diferente de SP em rotina, qualidades e defeitos. Morava sozinha, tinha um emprego bonzinho mas que ainda pagava pouco, tinha meus amigos de faculdade por perto e meus lugares preferidos mapeados e decorados. Com o tempo, minha vida se estabilizou de um jeito que, nessa idade, me incomodou. Passei a me sentir estagnada, parada no tempo, deixando-o passar sem fazer nada pra crescer, alheia a muita coisa.
 
Hoje a sensação ruim não existe mais. Estou em SP e aqui continuo morando sozinha. O trabalho é mais desafiador e paga melhor. Aproveito a cidade com a avidez e a euforia de quem ama estar onde as coisas acontecem depois de passar anos vendo tudo pela tv como se fosse outro planeta. É difícil se acostumar com a poluição, trânsito e mal-humor crônico da maioria das pessoas. E nunca vou achar normal um motoqueiro percorrer um quarteirão inteiro na calçada, porque naquela rua não tem espaço entre os carros para ele passar. Mas nada que fechar os vidros, respirar fundo e aumentar o volume do Moby não alivie.
 
Agora, difícil mesmo é lidar com a ruptura total de uma vida pra começar outra diferente.

Quando você é novo num lugar e tem ali um vínculo com uma pessoa que já é dali, como eu e o namorado paulistano, você corre o risco de adotar os lugares, os programas e os amigos da pessoa. Quando vê, você entrou no universo dela. Eu não gosto muito da idéia disso acontecendo (devo ter um lado individualista) e tento criar a "minha" São Paulo, descobrir lojinhas, livrarias, cafés e cantos e ruas e mercadinhos e botecos que EU achei e que sejam a MINHA cara, a minha praia. Não gosto de ser só "nós", eu preciso ser "eu" também. Mas uma vez tendo escolhido esses favoritos, adoro compartilhar.

Trabalho na Vila Madalena. Por tudo o que acabei de dizer, eu não poderia ter ido aterrisar em bairro melhor... Ô região boa para descobertas interessantes! E, gente, vocês não fazem idéia de como ADORO quando acontece de eu ler sobre algum lugar interessante, ficar com vontade de conhecer, olhar o endereço e descobrir que estou a duas quadras dele! E isso acontece muito...

Aqui no blog eu quero falar sobre esses lugares e outros que eu venha a conhecer, sobre a minha vida paulistana e o crescimento que eu quero muito ter aqui, sobre pessoas e sobre whatever's inside! :-)