quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Woman at work

O blog ficou sem atualização um tempão :(

Então, vim só dizer que ando corrida pra c#$#%*@... Cansada, tocando uma obra desde o meio de agosto e não VENDO A HORA dela acabar de uma vez... Hoje meu chefe falou que dá pra ver que estou desanimando, desgastada e me "mandou" tirar uns dias de folga quando ela acabar (iiihu!), porque tem muito projeto novo fechando contrato e preciso voltar com força total. Acho que esses dias away vão ser 22 e 23 de outubro.

Ver a obra ficando pronta é uma delícia... Eu pelo menos acho. Você cria, faz o projeto todo no papel e eu acho frustrante quando a gente não acompanha a execução de todo aquele trabalho de criação e não vê ganhar vida. Por isso que eu gosto de gerenciamento de obras. Mas olha, é muito, MUITO puxado! Te suga as energias todas. Estou orgulhosa de mim mesma por estar conseguindo levar a vida, fazer minhas coisas, meus exercícios, minha música, mesmo com essa loucura toda que está meu dia-a-dia ultimamente.

E não dá pra esperar reconhecimento de cliente, não!
A parte ingrata é essa: é um trabalho invisível. Sim, porque quando tudo está dando certo, ninguém nota nada, ninguém sabe o duro que você está dando pra fazer tudo aquilo correr bem. Mas experimenta dar uma mancada, pra você ver o que acontece...

Outro dia eu estava na obra, resolvendo mil coisas pelo celular, ajudando a receber umas cadeiras que estavam chegando e orientando uns fornecedores que também estavam lá. Aí essa fornecedora chegou e me disse assim: "Puxa, quanta coisa você resolve, né? Eu estava aqui só te olhando e te admirando, dizendo a mim mesma 'meu Deus, de quanta coisa ao mesmo tempo ela cuida'." Fiquei até sem jeito e agradeci a observação. Às vezes uma pessoa faz um comentário inocente como esse e nem faz idéia da diferença que faz no nosso dia... Porque no meu fez muita, esse tipo de reconhecimento não é algo que eu nem ninguém costuma receber espontaneamente. (pausa no assunto pra comentar o absurdo da correção ortográfica do Windows, que queria que eu substituísse "espontaneamente" por, entre outros absurdos, "instantâneamente", que nem existe com esse acento, ou "estonteadamente"! Afe...)

Mas enfim... Dentro disso tudo o meu chefe reconhece a qualidade do meu trabalho, tem me elogiado muito e diz que meu gerenciamento da obra está superando as expectativas do escritório, e é exatamente isso que eu preciso saber. Tenho muita sorte nesse aspecto, meus chefes têm um lado muito humano, que valoriza, reconhece e defende a equipe. É gente do bem, mesmo.

E quanto aos clientes... Bom... Eles disseram hoje que levarão meu chefe e eu para jantar no Figueira Rubayat semana que vem, e era exatamente isso que eu precisava saber! Hahahah.



terça-feira, 1 de setembro de 2009

In these shoes?

Que segunda-feira... 7h30 estava de pé porque não conseguia mais dormir, depois de uma noite from hell por causa do resfriado. Naldecon Dia, e trabalho. MUITO trabalho. Correria o dia todo, e parte da noite, saí do escritório às 21h.

Pelo menos pra uma coisa serviu. Se eu não tivesse chegado em casa na hora em que cheguei, não estaria ouvindo rádio na hora que tocou essa música TÃO legal!

Tem algo que lembra hip-hop mas uma levada latina, a voz da mulher é poderosa, "spicy"... Adorei, adorei. Essa música é um perfeito tema de "outra-segunda-agora-só-daqui-a-sete-dias".

E sei lá, eu acho que, quando você chega em casa às 9h30 da noite numa segunda depois de trabalhar por 12 horas, e mesmo assim consegue curtir a música que está tocando no seu carro e decora um pedaço da letra pra botar no Google e descobrir o nome... É sinal que você ainda não pirou de vez.






(nada a ver esse vídeo com a cara da mulher o tempo todo né, mas eu não conheço outro jeito, se é que existe, de colocar música no blog...)

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Placas com finais 7 e 8

Quinta-feira é dia do rodízio do meu carro. Na quinta passada eu não tava nem um pouco a fim de ficar até a noite no escritório, como eu costumo fazer nos dias de rodízio, chego 10h30 e saio às 20h. Então, como eu tinha muita coisa pra fazer, resolvi ir antes das 7h. Até que foi legal. Tirando a dificuldade pra acordar, é claro. Mas foi bom ter o escritório só pra mim durante 2 horinhas de silêncio, paz e sossego.

Se eu conseguir acordar ced(íssim)o nas próximas quintas, vou fazer isso de novo. Fora a vantagem de chegar em casa às 5 da tarde, ô coisa boa! Quem sabe eu me acostumo...

E aí, eu indo pro trabalho às 6h30 com aquela sensação de estar em uma realidade paralela ou algo assim (o sono, as ruas desertas, o silêncio)... Ouvindo a Eldorado FM, e aí entra a Renata Falzoni, aquela bike reporter (fica circulando de bike pelas ruas de SP dando boletins sobre como está o trânsito) e fala a coisa mais estranha e engraçada (claaaaaro, né, tão engraçado quanto pode ser um boletim de trânsito, não vamos criar expectativas nível CQC)... Eu ri e devo ter ficado com as sobrancelhas franzidas durante uns 5 segundos tentando decidir se era efeito do sono ou se ela tinha dito algo que era inusitado mesmo.

Vou tentar lembrar com o máximo de exatidão possível. Era algo assim: "... e quem estiver passando no cruzamento da rua (...não lembro) com a rua (...não lembro), tome muito cuidado, pois tem um sem-teto andando pela rua empurrando um carrinho de supermercado com os seus pertences. Se você passar distraído ou despreocupado, poderá machucá-lo. Aqui é Renata Falzoni, com o Bike Reporter para a Rádio Eldorado FM."

Coisas que só SP tem. Sem-teto empurrando um carrinho de supermercado com seus pertences... Não exatamente o boletim de trânsito mais comum que se pode fazer, e ouvir às 6h30 da manhã, ainda meio dormindo... Surreal, no mínimo.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Fora Sarney

Existe um movimento nacional para protestar a favor do pé na bunda do Sarney e amanhã várias cidades do Brasil terão protestos nas ruas. Todas as informações aqui na página do movimento.

E o fim de semana tá chegando, ô delícia! O dia hoje está lindo aqui em SP. Se continuar assim amanhã e depois... Falando no claro e bom 'paulisclaudês' (como diz uma amiga minha do NE): MEU, nem adianta quererem me enfiar dentro dum shopping que eu não vou!

quarta-feira, 29 de julho de 2009

La Isla Bonita

Vim aqui só desabafar uma saudade!...

Uma sexta-feira dessas fez um dia LINDO. Lembra do que é isso ainda, dia lindo? Sol? Eu sei, é difícil, principalmente pra quem está em SP nesse mês de julho. Não chovia tanto desde 1943!!! Quéisso, minha mãe nem era nascida ainda! Bom, divagações à parte, eu ia dizendo que estava um dia quente, com céu azulzinho. Eu estava dirigindo, blusinha sem manga e rabo-de-cavalo, e quando senti o sol batendo na pele, foi uma sensação tão boa!... Na hora, por uns segundos, eu me senti igualzinho a quando morava no sul... No litoral! Uma brisa morna com o sol nos ombros e nos braços e o céu azul lá na frente, e foi o suficiente pra acordar algo de floripano na minha mente. Eu quis mais daquilo...

E tem uma coisa, só quem me conhece bem vai saber como é curioso isso. Já quem não me conhece vai pensar "duh, grande coisa, saudade da praia eu sinto todo dia", mas é que durante muito tempo eu odiei sol! Queria mesmo era frio e mais frio. Ainda gosto do outono, do inverno, mas aprendi a gostar do sol também! Uma pena que tenha sido só nos meus últimos anos na Ilha - pois nos primeiros, eu lamentava estar numa cidade onde o "best feature" era algo que não me empolgava nem um pouco. Passei a curtir de uma hora pra outra, não me pergunte por quê, e não suportava ficar em casa se tinha sol! Ia pra praia sozinha, se não tinha companhia.

Agora, como estou longe, às vezes bate essa coisa, é quase uma urgência de comprar uma passagem e passar um finzinho de semana por lá, uma urgência mesmo. E não é pra ficar de turista não, mas fazer coisas bobas, simples e à toa, que só se faz quando se mora no lugar e por isso tem tempo de sobra pra perder... Tomar um café com pão de queijo na confeitaria do shoppingzinho da Lagoa, ir ao hipermercado Angeloni, sentar num banco do trapiche da Beiramar ou assistir ao Jornal do Almoço.

É que São Paulo às vezes fica muito grande, e pra poder olhar direito pra coisas muito grandes, a gente precisa tomar um pouco de distância.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Notívaga incurável

Não adianta, não adianta.

Meu organismo simplesmente NÃO se adapta a essa coisa de dormir cedo e acordar cedo... Já me disseram mil vezes que é uma questão de acostumar, mas não acredito não, é difícil demais!!

Noite de terça eu decidi que iria ser uma boa menina, e iria dormir cedo, antes da hora que mamãe mandaria, se mamãe ainda mandasse em mim. Dez e meia eu fui pra cama, orgulhosa do meu bom comportamento e disciplina, fiquei quietinha, nem li, e dormi até bem rápido. Sabe o que aconteceu? Três da manhã eu acordei e não consegui mais dormir! Ai que raiva...

Depois de 40 minutos fritando na cama eu desisti, botei os fones e fiquei ouvindo o audiobook do Harry Potter 6 até amanhecer. Dormi, acordei atrasada, fui correndo para o trabalho e passei o dia todo caindo de sono. Definitivamente esse negócio de dormir cedo não é comigo.

Ah, sobre o Harry Potter, adoro os livros todos, li quando saíram, ou melhor, devorei, e os filmes, a partir do terceiro fui assistir sempre nas estréias. Em um deles fui de muletas. O sexto estreou ontem e eu ainda não fui ver, isso é raro... E como já faz um tempinho que li o sexto livro, estou relembrando a história pelo audiobook antes de ver o filme, o que, de quebra, me ajuda a manter o listening em dia. Inglês é uma outra paixão minha. Mais que Harry Potter e tanto quanto dormir tarde. Ou seja, imagina como eu ficava feliz da vida lendo Harry Potter em inglês até de madrugada, nas felizes épocas de lançamento, (que infelizmente acabaram em 2007)!...

terça-feira, 30 de junho de 2009

Sala dos Professores

Alguma vez você já fez alguma coisa que, mesmo insignificante, mudou teu espírito e te deixou mais feliz?

Toda terça eu tenho aula de sax. Na volta, venho ouvindo no carro aquele programa da Rádio Eldorado, Sala dos Professores, que toca das 19h às 19h20 todos os dias. É muito bom sair da aula ainda com o ouvido apurado para a música, a cabeça condicionada, e ouvir aquelas músicas super ricas, lindas, é como, sei lá, comer estando com bastante fome!

E hoje, quando eu estava quase em casa, estava tocando uma música chamada Watermelon Man, do Herbie Hancock, deliciosa de ouvir! (É esse o tipo de jazz que eu gosto, não tenho muita paciência pra ficar ouvindo aquele jazz intelectualizado, conceitual, eu gosto de melodias simples e gostosas, que é como o jazz nasceu, pra começo de conversa!...) Parei o carro e fiquei lá sentada, dentro do carro na garagem, ouvindo até a música acabar, só curtindo, aí subi pra casa e liguei a rádio aqui pra ouvir o finzinho do programa... Notei como é raro eu chegar em casa e ligar o som, geralmente eu ligo a chata da televisão que fica fazendo barulho... E impressionante como isso deu uma mudada no meu espírito! Parece que meu dia ficou um pouquinho mais único, um pouquinho menos "obrigatório"...

Talvez viver seja mesmo uma questão de postura, e do que a gente considera importante.

Essa é a Watermelon Man que eu adorei, e aproveitando, essa é a The 'In' Crowd, do Ramsey Lewis Trio, que eu também fiquei conhecendo no Sala e amei. Ela está meio longa demais nessa versão, que é ao vivo, mas só pelo comecinho já vale a pena conferir.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Outside 02 - Café!

Ao entrar nesse café - ou melhor, sair, já que é ao ar livre - não acreditei que, trabalhando no bairro por 2 anos, eu nunca soube da existência desse lugar, tão pertinho, ao meu alcance diário!!

É uma unidade do Santo Grão, um café que eu amo, sempre frequento, algumas Livraria Cultura têm ele... Essa unidade fica na Livraria da Vila, da Fradique Coutinho. Uma delícia de lugar!! Fica escondidinho no fundo da livraria, você entra, ops, sai, e tem as mesinhas entre árvores, o balcão, é um lugarzinho tão convidativo... Quem puder, vá conhecer... Tome um café e peça um muffin de cappucino, gente, mas QUE MUFFIN é aquele!!! A massa se desmancha toda, você quase que tem que comer com colher porque ele se despedaça com o garfo... Quentinho com pedaços de chocolate branco derretidos pela massa, olha, vale muito a pena ir!

O programinha por si só já te desacelera, se você topar entrar no clima do lugar (e não ingerir cafeína demais). Eu provavelmente farei visitas mais frequentes, especialmente agora que estou passando por uma fase chata no trabalho, dificuldades de convivência, então sinto que virão a calhar as saidinhas para um café.

Tenho só uma ressalva: um domingo, enquanto estava lá, algum funcionário achou que seria uma boa idéia fazer todos os clientes ouvirem a música que ele estava a fim de ouvir, ou seja, um pagodão, e colocou o som num volume indignante. Eu não fui a única a levantar e ir embora na mesma hora, esse é o tipo de coisa que me incomoda meeeesmoooo. Mas foi um episódio isolado, nas minhas outras 4 ou 5 idas isso não aconteceu e os atendentes foram sempre muito atenciosos e simpáticos, por isso perdoei. =)

Já que o assunto é café, vale a pena citar a livraria Sobrado, em Moema, que tem um espaço delicioso para sentar e tomar um café com bolo, o cappucino tradicional é uma delícia. Mesinhas altas tipo bistrô com banquetas, bancos também no balcão (adoro sentar no balcão, sabia??) e mesas ao ar livre também. Bom, a livraria é toda LINDA, uma ótima idéia de projeto, um sobrado original do bairro que ganhou passarelas de metal e escadas, poltronas antigas, piano, tapetes, para criar ambientes super aconchegantes com um toque contemporâneo, que provoca a vontade de pegar um livro e ir ficando por ali mesmo.

Só não posso deixar de alertar a quem for visitar: vale a pena sim, mas desencane do atendimento, que eu tenho achado bem fraquinho ultimamente... Infelizmente, já que o lugar é tão gostoso!! Ultimamente a gente tem precisado pedir algo 2 ou até 3 vezes para que eles levem!! E quando levam, é com cara de poucos amigos.

Lembra que falei da Livraria Cultura no começo do post? E como eu amo essa livraria... Então, na maravilhoooosaaaa Cultura do Conjunto Nacional (construída onde antigamente era o Cine Astor) tem um café Viena, que eu também amo de paixão... O bolo de laranja é uma perdição. Tem aqueles cafés que vêm num sachezinho colorido, esses nunca tomei, são bem mais caros... Mas o espresso comum já é ótimo.

Depois posto uma foto legal do Santo Grão da Fradique!


quinta-feira, 25 de junho de 2009

... e o Covarde Levou

*suspiro*
No momento em que escrevi o título desse post, me deu uma baita raiva do cara e eu pensei: "esse cretino fdp não merece ficar assim no título, com essa importância toda". Mas vai assim mesmo. Além do mais, importância eu darei a ele se ficar ruminando alternativas pra substituir a primeira idéia, só pra omiti-lo.

O motoqueiro veio na contramão, subiu na calçada, parou cara a cara comigo e... E eu nem imaginava que aquilo era um assalto, mas neeeem imaginava mesmo! Triste realidade essa em que nossos instintos nos dizem tão pouco, em que sol bonito no céu, árvores, passarinhos e pessoas conversando em portas de lojas transmitem uma sensação de tranquilidade... falsa. Como uma nota de R$6,50. Do Banco Imobiliário. Não, eu achei que o cara iria estacionar na calçada e já estava pronta pra botar a minha costumeira cara feia para motoristas que não respeitam pedestres, e quando me toquei do que estava acontecendo, me veio uma sensação de "como eu fui trouxa", por não ter percebido. (Sim, porque, se é para ser perfeccionista, vamos ser perfeccionistas até mesmo na hora do assalto, né não? Eu deveria ter percebido!...)

Bem triste pensar que, se alguém se aproxima e você não pensa logo de cara no pior, você é o mané que se dá mal. Você paga com seus bens materiais, na mais maravilhosa e feliz das hipóteses. E quando bate depois aquela raiva do miserável, você tem que respirar fundo e ainda se obrigar a ficar FELIZ por não ter acontecido nada mais. Obrigada, ó piedoso e magnânimo bandido.

Essa é uma das coisas que me murcha a fé na humanidade: pra gente, hoje, em vez de exigir dos responsáveis o óbvio, o obrigatório, não... O normal é exigir de si mesmo o extremo, o radical, o ilógico - olhe para todos os lados, desconfie de todo mundo que se aproxima, não relaxe, não cheque mensagens na rua. Nem às 3h da tarde, não. Nem na rua tranquila onde você trabalha - para garantir que estará um pouco mais seguro no dia-a-dia. Assalto é tão, mas tão corriqueiro e previsível que vira "certo"; e quando acontece, só conseguimos pensar em como fomos "descuidados". Não é o governo que é uma porcaria e trata as pessoas como lixo, não é o sistema policial que é jogado às traças, não é a educação que é inexistente: sou eu que sou desatenta, que não fiz a minha parte, que me expus, que bobeei. E paguei. Ganhei meu merecido castigo. Aprendi a lição e vou me comportar melhor daqui por diante. Como uma boa cidadã, que pecou, saiu da linha, mas se arrependeu.

Em tempo: eu tinha apenas meu celular na mão e mais nada. Meu xodó... Foi só o que ele pediu e só o que ele levou. Uma dica: digite (faça JÁ!) *#06# no seu celular e guarde bem guardado o número que aparecer na tela, de 15 ou 17 dígitos (IMEI). Se roubarem seu aparelho, com esse número em mãos você bloqueia o aparelho falando com a sua operadora. Mesmo que troquem o chip. No mínimo uma dor de cabeça você dá para o infeliz se ele quiser desbloquear e, acredite, fazer isso alivia bastante a indignação, a sensação de impotência, injustiça e impunidade que o roubo te traz.



domingo, 7 de junho de 2009

Outside - 01 - Tinha uma chopper no meio do caminho

Tô falando que a Vila Madalena é show? 

Acho que a maioria das meninas não ligaria a mínima para o que me aconteceu na sexta-feira (29/5), mas eu achei o máximo, até surreal...

Depois do almoço, eu estava enrolando um pouco na rua para voltar ao escritório - eu almoço rápido, a nossa assistente costuma dizer que, a julgar pela rapidez com que eu volto, eu devo ir ao restaurante, fazer o prato e vir comendo pela rua... Mas enfim, estava eu andando na rua Fidalga com minha colega do escritório. Já não tínhamos mais a fome, mas também ainda não tínhamos a vontade de voltar pros computadores, ou seja, take the long way work. Chegamos perto de um bar que tem uma arquitetura muito legal, pé direito duplo e tal, já tinha reparado nele antes, mas dessa vez, tinha... Uma chopper parada bem na frente, dentro do bar... Não qualquer chopper... O desenho é inconfundível e além disso, peraí, eu conheço essa logomarca... É uma OCC, dos caras lá do American Chopper!!!! Caraca! Como assim??

Parei minha frase no meio, parei de andar e fiquei olhando... Carol, olha só... É uma OCC... Carol ficou na mesma, tentando ver na moto o motivo do meu estardalhaço. Isso confirma o que eu disse antes, sobre a maioria das mulheres não verem nada de mais. Eu adorei! Nem sou uma amante de motos nem nada, mas amo design, e o que esses caras criam tem um design fantástico... Fora a imprevisibilidade disso! Quando você vai imaginar que vai sair pra uma voltinha no bairro e se deparar com algo assim? Não entendo muito do assunto, mas acredito que elas são raras, únicas, feitas uma por uma, artesanalmente. Já tinha visto algumas ao vivo, mas foi no São Paulo Moto Festival, então era esperado (e mesmo assim foi "o bixo"). Agora, no meio da rua, assim por acaso... Surreal, como eu disse no início. Onde mais no Brasil senão SP, né?

Tirando Carol e eu, todos os outros arquitetos do escritório são homens, então lá fui eu desfilar a foto na minha telinha do celular pra todo mundo.

O lugar é o Bar do Santa, Rua Fidalga, 330. Eles têm esse serviço de lavar as motos, que eu achei super legal.

Quanto à moto que vi, encontrei essa reportagem falando da própria, mas não diz de quem ela é...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Miss Imperfeita

Tenho certeza que esse texto já está em inúmeros blogs e caixas de email por aí, mas ele é tão certo para essa época, e tão de acordo com o que eu escrevi no meu primeiro post, que terei prazer em ser mais uma pessoa a homenagear a escritora, repetindo-o aqui.

"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga.
Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.

Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante."


Por Martha Medeiros - jornalista e escritora, é colunista do jornal Zero Hora (Porto Alegre, RS) e dO Globo (Rio de Janeiro, RJ).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

What's inside - 01

Let the blog... BEGIN!



Em um mês, faço 30 anos. Calma, juro que vou tentar fugir do clichê de falar sobre a angústia de ser uma mulher de 30 hoje. Sobre as pressões do mundo para que você dê conta de uma carreira de sucesso, tenha uma família, seja uma mulher independente, não precise de ninguém, não faça o parceiro se sentir desnecessário, tenha um filho, não deixe o filho sem atenção, não mencione filho ao possível empregador. Não tenha filho antes de firmar carreira. Não tenha filho depois dos 35. Solteira aos 34? Corra. Unhas impecáveis, roupas bem esfregadas, muita disposição de noite na cama. 

Tarde demais para fugir do clichê...

Mas como eu estava dizendo, vou fazer 30... E, tirando as angústias típicas e já mencionadas, estou feliz! Acho que é uma boa hora pra começar um blog, justamente porque o que me deixa feliz  é chegar aos 30 com a sensação de estar no auge e progredindo, e fiel à minha identidade, à mulher que eu quero ser. E eu quero que o blog seja uma celebração da minha identidade. Ontem olhei fotos minhas aos 17 anos me acho mil vezes melhor hoje, tanto na beleza quanto na atitude, na minha postura diante do mundo. 
 
Na época em que essas fotos foram tiradas, saí da casa dos pais. Morei, até pouco tempo atrás, no sul do Brasil. Vivia numa cidade completamente diferente de SP em rotina, qualidades e defeitos. Morava sozinha, tinha um emprego bonzinho mas que ainda pagava pouco, tinha meus amigos de faculdade por perto e meus lugares preferidos mapeados e decorados. Com o tempo, minha vida se estabilizou de um jeito que, nessa idade, me incomodou. Passei a me sentir estagnada, parada no tempo, deixando-o passar sem fazer nada pra crescer, alheia a muita coisa.
 
Hoje a sensação ruim não existe mais. Estou em SP e aqui continuo morando sozinha. O trabalho é mais desafiador e paga melhor. Aproveito a cidade com a avidez e a euforia de quem ama estar onde as coisas acontecem depois de passar anos vendo tudo pela tv como se fosse outro planeta. É difícil se acostumar com a poluição, trânsito e mal-humor crônico da maioria das pessoas. E nunca vou achar normal um motoqueiro percorrer um quarteirão inteiro na calçada, porque naquela rua não tem espaço entre os carros para ele passar. Mas nada que fechar os vidros, respirar fundo e aumentar o volume do Moby não alivie.
 
Agora, difícil mesmo é lidar com a ruptura total de uma vida pra começar outra diferente.

Quando você é novo num lugar e tem ali um vínculo com uma pessoa que já é dali, como eu e o namorado paulistano, você corre o risco de adotar os lugares, os programas e os amigos da pessoa. Quando vê, você entrou no universo dela. Eu não gosto muito da idéia disso acontecendo (devo ter um lado individualista) e tento criar a "minha" São Paulo, descobrir lojinhas, livrarias, cafés e cantos e ruas e mercadinhos e botecos que EU achei e que sejam a MINHA cara, a minha praia. Não gosto de ser só "nós", eu preciso ser "eu" também. Mas uma vez tendo escolhido esses favoritos, adoro compartilhar.

Trabalho na Vila Madalena. Por tudo o que acabei de dizer, eu não poderia ter ido aterrisar em bairro melhor... Ô região boa para descobertas interessantes! E, gente, vocês não fazem idéia de como ADORO quando acontece de eu ler sobre algum lugar interessante, ficar com vontade de conhecer, olhar o endereço e descobrir que estou a duas quadras dele! E isso acontece muito...

Aqui no blog eu quero falar sobre esses lugares e outros que eu venha a conhecer, sobre a minha vida paulistana e o crescimento que eu quero muito ter aqui, sobre pessoas e sobre whatever's inside! :-)