segunda-feira, 25 de maio de 2009

Miss Imperfeita

Tenho certeza que esse texto já está em inúmeros blogs e caixas de email por aí, mas ele é tão certo para essa época, e tão de acordo com o que eu escrevi no meu primeiro post, que terei prazer em ser mais uma pessoa a homenagear a escritora, repetindo-o aqui.

"Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.
Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.

Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe todas as noites, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas!

E, entre uma coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.

Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.
Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.

Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.

Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

A mulher moderna anda muito antiga.
Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.
Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.
Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir.
Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo.
Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.

Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante."


Por Martha Medeiros - jornalista e escritora, é colunista do jornal Zero Hora (Porto Alegre, RS) e dO Globo (Rio de Janeiro, RJ).

quinta-feira, 21 de maio de 2009

What's inside - 01

Let the blog... BEGIN!



Em um mês, faço 30 anos. Calma, juro que vou tentar fugir do clichê de falar sobre a angústia de ser uma mulher de 30 hoje. Sobre as pressões do mundo para que você dê conta de uma carreira de sucesso, tenha uma família, seja uma mulher independente, não precise de ninguém, não faça o parceiro se sentir desnecessário, tenha um filho, não deixe o filho sem atenção, não mencione filho ao possível empregador. Não tenha filho antes de firmar carreira. Não tenha filho depois dos 35. Solteira aos 34? Corra. Unhas impecáveis, roupas bem esfregadas, muita disposição de noite na cama. 

Tarde demais para fugir do clichê...

Mas como eu estava dizendo, vou fazer 30... E, tirando as angústias típicas e já mencionadas, estou feliz! Acho que é uma boa hora pra começar um blog, justamente porque o que me deixa feliz  é chegar aos 30 com a sensação de estar no auge e progredindo, e fiel à minha identidade, à mulher que eu quero ser. E eu quero que o blog seja uma celebração da minha identidade. Ontem olhei fotos minhas aos 17 anos me acho mil vezes melhor hoje, tanto na beleza quanto na atitude, na minha postura diante do mundo. 
 
Na época em que essas fotos foram tiradas, saí da casa dos pais. Morei, até pouco tempo atrás, no sul do Brasil. Vivia numa cidade completamente diferente de SP em rotina, qualidades e defeitos. Morava sozinha, tinha um emprego bonzinho mas que ainda pagava pouco, tinha meus amigos de faculdade por perto e meus lugares preferidos mapeados e decorados. Com o tempo, minha vida se estabilizou de um jeito que, nessa idade, me incomodou. Passei a me sentir estagnada, parada no tempo, deixando-o passar sem fazer nada pra crescer, alheia a muita coisa.
 
Hoje a sensação ruim não existe mais. Estou em SP e aqui continuo morando sozinha. O trabalho é mais desafiador e paga melhor. Aproveito a cidade com a avidez e a euforia de quem ama estar onde as coisas acontecem depois de passar anos vendo tudo pela tv como se fosse outro planeta. É difícil se acostumar com a poluição, trânsito e mal-humor crônico da maioria das pessoas. E nunca vou achar normal um motoqueiro percorrer um quarteirão inteiro na calçada, porque naquela rua não tem espaço entre os carros para ele passar. Mas nada que fechar os vidros, respirar fundo e aumentar o volume do Moby não alivie.
 
Agora, difícil mesmo é lidar com a ruptura total de uma vida pra começar outra diferente.

Quando você é novo num lugar e tem ali um vínculo com uma pessoa que já é dali, como eu e o namorado paulistano, você corre o risco de adotar os lugares, os programas e os amigos da pessoa. Quando vê, você entrou no universo dela. Eu não gosto muito da idéia disso acontecendo (devo ter um lado individualista) e tento criar a "minha" São Paulo, descobrir lojinhas, livrarias, cafés e cantos e ruas e mercadinhos e botecos que EU achei e que sejam a MINHA cara, a minha praia. Não gosto de ser só "nós", eu preciso ser "eu" também. Mas uma vez tendo escolhido esses favoritos, adoro compartilhar.

Trabalho na Vila Madalena. Por tudo o que acabei de dizer, eu não poderia ter ido aterrisar em bairro melhor... Ô região boa para descobertas interessantes! E, gente, vocês não fazem idéia de como ADORO quando acontece de eu ler sobre algum lugar interessante, ficar com vontade de conhecer, olhar o endereço e descobrir que estou a duas quadras dele! E isso acontece muito...

Aqui no blog eu quero falar sobre esses lugares e outros que eu venha a conhecer, sobre a minha vida paulistana e o crescimento que eu quero muito ter aqui, sobre pessoas e sobre whatever's inside! :-)